Andou por cerca de 100 metros só para poder se certificar de ter se afastado daquele local com memórias tão vívidas e doídas em sua mente. Ela tinha se escondido de si mesma até então e passar tão perto do que queria nunca ter vivido a fez se encontrar imersa numa coberta de nuvens obscuras que metaforizavam a dor de se ver. Pensou em sua avó. Era bonita a ideia de só ter que pensar e não, de fato, concretizar a visão dolorosa de uma vida que se foi. Arrependeu-se em seguida de não querer para si uma vida que já se fora há tempo. Pensou em por que temos a mania insaciável de nos policiar para nós mesmos dos desejos que dizem ser ruins (talvez seja culpa de vidas passadas; talvez seja medo do ímpeto que podemos despertar fazendo o que bem queremos). Resgatou-se dos pensamentos adversos e olhou para os lados, atônita pela quantidade de rostos desconhecidos, mas que são tão familiares. Familiares porque possuem a feição que acostumamos o nosso olhar a normalizar. Tiro...